Nossas dores, se passadas,
Em breve são esquecidas.
As das pessoas amadas,
Não findam mais. São retidas.

F. Corrêa de Oliveira (1976)

Achega-se o final da obra e Corrêa de Oliveira descobre, no passado oculto do seu pai como guitarrista de fado, que o que sentimos pelas pessoas amadas dói mais do que as dores próprias que "se passadas, em breve são esquecidas". A dor é finita. O amor quebra o tempo. A sexta das Sete peças para guitarra Op. 30.

 

Nesta última peça do compositor portuense Corrêa de Oliveira aparece explícita a referência medieval na figura da galega Inês de Castro, esposa do rei Dom Pedro de Portugal, e a relação da sua morte com a cidade de Coimbra, que preside toda a obra. A identificação de Inês com Maria Feliciana é quase imediata na quadra que ilustra a música:

Eu quero ver-te viva, além fronteira
Beijar a tua mão rosada e quente.
Eu quero ver-te grácil, altaneira,
No meio próprio, Inês, com tua gente!

 

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