Naqueles muros, ora sob as águas,
Perduram vozes doutras gerações:
São cantos, preces, áis de fundas máguas,
Murmúrios de secretas confissões.

Fernando Corrêa de Oliveira (1976)

O compositor toma a profundidade da história, que depois se verá galego-portuguesa, para representar a profundidade do seu lamento pelos seres queridos perdidos. A quarta das Sete peças para guitarra Op. 30.

 

O compositor perdeu a esposa, Maria Feliciana, em 1972 e o pai, Horácio, em 1973. Nesse período doloroso debruçou-se na composição de obras de inspiração medieval galego-portuguesa, período histórico que lhe calmava as dores, talvez por achar nele algo de eterno e atemporal. Nessa particular luta contra a passagem do tempo, Corrêa de Oliveira desenvolveu o Discantus Simétrico, aplicação do sistema compositivo da sua autoria à música medievalizante. Três anos mais tarde veremos também a aplicação do seu sistema na guitarra e a referência histórica medieval nesta Op. 30. A quadra da quinta peça é uma reflexão sobre os seres finitos e o passado que permanece.

 

Não sei se, quando busco o passado,
Procuro aqueles todos que perdi,
Ou a mim mesmo, antes de mudado
Por quanto a própria vida é em si.

 

Fernando Corrêa de Oliveira (1976)