Uma das associações galego-lusófonas que ajudei a fundar é a Associação Internacional 'Colóquios da Lusofonia', de relacionamento civil lusófono, para o melhor conhecimento e relacionamento dos países de língua portuguesa, incluída Galiza. No passado ano os Colóquios a se realizarem nos Açores e Belmonte (congressos de conferências, concertos e visitas guiadas) tiveram de ser cancelados por causa da Covid'19. Foi a partir de setembro de 2020 que começaram as tertúlias virtuais Saudades dos Colóquios. Esta tarde às 20h (Gz), 19h (Pt) e 18h (Aç) participarei numa dessas tertúlias com @s colegas Sérgio Da Silva Prosdócimo, Vilca Merízio, Rui Faria, Carolina Cordeiro e Chrys Chrystello.

Web da AICL

Facebook

Blog da AICL

Saudades dos Colóquios 

 

Avelina Valladares Núñez, nada no lugar de Vilancosta, na freguesia de Berres, no concelho da Estrada em 1825 e falecida no mesmo lugar, a Casa Grande de Vilancosta em 1902, foi uma mulher galega nascida em família fidalga que não abandonou as terras e sempre manteve uma relação fraternal com as lavradoras e lavradores que as trabalhavam. Dentro do seu cristianismo, Avelina sempre foi uma destacada ativista dos direitos humanos e firme defensora da justiça para as gentes galegas, em especial, para as da sua comarca, a Ulha

Avelina Valladares cultivou a literatura e a música de modo humilde, quase sem publicar as suas criações que no entanto foram notáveis. As primeiras notícias de Avelina chegam da mão do seu irmão Marcial Valladares (1821-1903), também escritor, músico e intelectual, nas Memórias de Família que, como é costume na família, deixa sem publicar. Antes conhecida como poeta e escritora, a obra literária de Avelina foi publicada em 2000 por Xosé Luna Sanmartín, mais tarde a obra para guitarra seria publicada em 2010 por José Luís do Pico Orjais e Isabel Rei Samartim, e finalmente em 2018 mais uma publicação póstuma do seu familiar Carlos Ferreirós Espinosa. Também em 2020 Avelina é de novo estudada na obra A guitarra na Galiza, tese de doutoramento apresentada na USC.

Esta é a primeira gravação em vídeo de Soidade, a obra para guitarra escrita por uma mulher música galega no século XIX. A Soidade de Avelina é uma solidão digna, escolhida, de mulher que escolhe o seu futuro sem deixar-se vencer pelas convenções sociais. É o símbolo duma fidalguia galega que não renuncia à terra nem às gentes, e também o destino duma mulher que sabe defender a sua herança cultural e social.

 

 

Em 11 de setembro de 2020 o professor brasileiro Gilberto Cardoso dos Santos convidou-nos ao professor Xoán Lagares e a mim para participar num bate-papo virtual em volta do que na Galiza chamamos de Galego, que é mais uma variedade do português universal, a variedade primeira, origem da língua portuguesa. A conversa trata de diversos temas e serve para aprofundar no conhecimento que as pessoas dum e doutro lado do Atlântico temos sobre a nossa comunidade linguística e cultural.

 

 

Estas quatro moinheiras, anónimas, escritas para guitarra foram descobertas em quatro fundos diferentes na Galiza. A primeira pertence à coleção do guitarrista pontevedrês Javier Pintos Fonseca (1869-1935), conservada no Museu da Ponte Vedra. A segunda está manuscrita no Caderno do Francês, assim chamado por conter uma boa coleção de canções para voz e guitarra sobre motivos da guerra contra os franceses (1808-1814). A terceira acha-se num método para guitarra anónimo da última década do s. XIX, dentro do Fundo Local de Música de Rianjo. E a quarta é a moinheira do fundo da família Valladares, que junto com as mais de trinta moinheiras para outros instrumentos constitui o conjunto destas danças galegas de maior amplitude dentro dos fundos galegos.

 

 

 

Esta obra do virtuoso galego Juan Parga Bahamonde foi descoberta no fundo guitarrístico de Javier Pintos Fonseca, conservado no Museu da Ponte Vedra. Este vídeo foi gravado na primeira semana do mês de junho de 2020, durante o confinamento da Covid-19 em Santiago de Compostela (Galiza), e projetado no ato de defesa da tese "A guitarra na Galiza".